Browser Wars

Não! Não é uma nova sequela do Star Wars … é há algo que existe desde os meados da década de 90 do século XX, a tentativa de um browser dominar os outros e pode-se dizer que depois da queda do Netscape tal aconteceu. Sim, após a Microsoft, já na altura líder dos sistemas operativos domésticos e de secretária, decidir criar o seu próprio browser, sim estão a adivinhar, o Internet Explorer e pré-instala-lo no Windows 95 o mundo começou a mudar. Se por um lado a Internet se estava a tornar algo mais banal ao longo que os últimos anos da década se passavam e as versões do Internet Explorer se sucediam rapidamente, também se podia dizer que cada vez mais gente iletrada em informática se passeava pela World Wide Web afora … Rapidamente Internet Explorer (aquele ézinho azul) se tornou sinónimo de Internet, aliás não seria difícil encontrar quem pensasse que o Internet Explorer era a Internet. Assim com este movimento monopolista e a desinformação de uma sociedade cada vez mais desinformada o Netscape que era o líder, aquando do aparecimento do Internet Explorer, caiu no esquecimento lentamente. Até que em 2000-2001 podia-se dizer que 95% ou mais dos utilizadores utilizavam o Internet Explorer. Foi em Outubro de 2001 que a Microsoft se decidiu sentar à “sombra da bananeira” com o lançamento do seu novo sistema operativo, após o super-fracasso do Windows Millenium Edition, o Windows XP, o primeiro sistema operativo de consumo generalizado a ser baseado na linha Windows NT, nomeadamente no Windows 2000 Professional, em vez da linha Windows 9x (que era para todos os efeitos uma “shell” do MS-DOS). Com o Windows XP veio uma nova versão do Internet Explorer (também disponível opcionalmente para Windows 98/ME/2000), o Internet Explorer 6. O Internet Explorer 6 foi o browser que até hoje passou mais anos sem ser substituído (cerca de 5 anos).

Durante os três anos seguintes tudo esteve calmo e a Microsoft continuava a liderar o mercado … mas que … aparece o Mozilla Firefox em Novembro de 2004 que trazia suporte a muitas novas funcionalidades como os famosos separadores e um leque sem fim de extensões opcionais (já estando em desenvolvimento nos últimos anos sobre o nome Phoenix, depois Firebird e por fim Firefox). Devido a uma incrível campanha de marketing passa a palavra da Mozilla e de o descontentamento de alguns utilizadores com o Internet Explorer (por exemplo eu) a balança começou a virar e nos seguintes dois anos o Firefox ganhou uma boa quota de mercado e respeito por parte da Microsoft. Ao longo deste tempo a Microsoft sentiu-se pela primeira vez em muito tempo ameaçada e decidiu começar a trabalhar no Internet Explorer 7 em 2005, mudando os seus planos de este ser somente para o Windows Longhorn, pois Windows Vista como se viria a chamar, e também lançá-lo para Windows XP que era, e ainda é, o sistema operativo mais utilizado por uma larga margem. Lançaram assim no final de 2006 o Internet Explorer  7 para Windows XP, juntamente com o Windows Vista (que já o traz de origem) para grandes empresas seguindo-se o lançamento geral a 31 de Janeiro de 2007.

Por mais algum tempo o Firefox manteve-se “Rei e Senhor” do mercado alternativo ao Internet Explorer conquistando cada vez mais mercado ao browser da Microsoft, fazendo-o regredir a cotas de mercado abaixo dos 70%.

No entanto o Firefox não se encontrava sozinho. O Safari da Apple (que eventualmente saiu para Windows) e o Opera também tinham um pequena fatia de mercado. E especialmente o Safari, com a crescente popularidade dos Macs, conseguiu por si só ganhar algum terreno.

Mas o panorama não ia ficar assim por muito tempo. Lançado a 2 de Setembro de 2008, em versão Beta, o Google Chrome veio abalar o mercado. Rapidamente evoluiu para uma versão estável e definiu novos standards em termos de performance e alguns aspectos a rever nos browsers em geral. Em pouco tempo começou a aumentar a sua cota de mercado roubando utilizadores ao Internet Explorer e mesmo ao Mozilla Firefox.

Esta evolução manteve-se com todos estes browsers no mercado. Mesmo com o lançamento do Internet Explorer 8 em Março de 2009, que é bem melhor que a versão 7 em termos de suporte a standards e mesmo de funcionalidade e estabilidade mas que no entanto ainda fica aquém da concorrência, a tendência continuou a acentuar-se e continua assim até hoje apenas com tendência para continuar. Aliás em Março de 2010 até foi lançado o “Ballot Screen” já falado aqui no blog.

Neste momento podemos dizer que aproximadamente a nível global o mercado está assim (há grandes discrepâncias entre países, provavelmente devido à cultura e sociedade dos mesmo):

  • Internet Explorer – 53,03%
  • Mozilla Firefox – 31,98%
  • Google Chrome – 8,07%
  • Apple Safari – 4,16%
  • Opera – 1,88%
  • Outros – 0,88%

Fonte: http://gs.statcounter.com/#browser-ww-monthly-201004-201004-bar

E deixo ainda uma imagem com a evolução da utilização dos browsers nos últimos 2 anos (imagem retirada de http://gs.statcounter.com/):

Como vêem o Internet Explorer ainda domina, e apesar da versão 8 estar melhor que a 7 e a 6 na minha opinião qualquer um dos outros browsers é muito superior tanto em interface como no motor de renderização das páginas … Mas o Firefox ganhou uma bom share. O Google Chrome vem em 3º lugar com um curto tempo de vida (provavelmente devido ao marketing da Google nos seus produtos e porque realmente é um excelente browser). O Safari (o nosso quarto lugar) é o browser incluído por defeito no sistema operativo Mac OS X utilizado nos computadores Apple e acaba por ter o mesmo efeito que o Internet Explorer ao vir de origem com o sistema operativo visto que 5% dos computadores são da Apple (uma versão para Windows XP/Vista). O Opera por sua vez é um frustrado na minha opinião … é um excelente browser (especialmente após o lançamento da versão 10.50 já aqui falado) mas não recebe quase nenhuma atenção. O seu motor de renderização é excelente e a sua interface também. É leve e muito rápido e tal como o Firefox esta disponível para Windows, Mac OS X e Linux. A sua única falha é a falta de extensões que o Firefox tem mas traz muitas das funções de algumas das melhores extensões do Firefox já incluídas por defeito. No entanto a Opera tem um atitude um pouco fanática do que diz respeito ao “Ballot Screen” (aliás foram eles que o impulsionaram) e continua a queixar-se que ainda não está como eles querem.

Assim façam a vossa escolha em relação ao melhor browser para vocês porque é preciso estar informado e saber que a Microsoft não inventou a Internet.

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